sábado, 30 de novembro de 2019

Atravesso a rua 
E não sei para onde vou 

Pedaços de vida 
Espalhados pelo chão
Sem destino 
Sem rumo 
Sem orientação 
Faça sol ou chuva não 

Espero não sei o quê 
Procuro o que encontrar 
Dados caídos na mesa de jogo
Olhos trespassados de luar

Sol que nasce sem saber para quê 
Sombra esguia que morre no fogo
Vulto que surge do ar
Esquecido, desfigurado 
Pássaro assustado 
Escuridão sem par

Mãos apertadas sem emoção 
Cheias de tudo e de nada
Paraísos desertos de fantasia 
Nostalgia de noites de escuridão 
Em desânimos,  e loucura confinada
Músicas envoltas em malvasia

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

CORES

Olho a natureza
E reparo que lhe falta uma cor
A dos risos, das gargalhadas

Já não ouço as cores
O silêncio tingiu tudo de cor nenhuma
Nem mesmo a da ilusão 
Que nos fazia acreditar
Que tudo existia
Até o amor

Já não ouço as cores da vida
Por onde caminhava a teu lado 

Já não ouço as cores dos sonhos 
Que abrigavam desejos e labirintos 

Já não ouço as cores da poesia 
Desenhada com a tinta da emoção 

Já não ouço as cores do teu abraço 
Alma minha, remoinho de tempestade

2019.11.07