sexta-feira, 23 de novembro de 2018

NÃO SEI

Não sei se desejo ir
Não sei se desejo ficar

Não sei o que desejo
Nem se algum desejo tenho

Não sei o que me oprime
Não sei o que eu oprimo 

Não sei ser livre
Nem sei se a liberdade existe

(não me lembro da data)

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Tenho raiva de ti, poesia

Tenho raiva de ti, poesia
Porque não te conheço
Porque falam tanto de ti
Porque não te ofereces a mim

Bafejaste uns
Com o teu dom

Bafejaste outros
Com paixão por ti

E eu?

Não te mereço
De maneira nenhuma?
Nem por te saber?
Nem por te sentir?

Deixá-lo ...
Sobreviverei
Até onde for possível
Nesta secura
Sem poesia nenhuma!

2018.08.16

sábado, 18 de agosto de 2018

POEMA AO MAR

Não sei porque é que as ondas são tão brancas
Não sei porque é que o mar é tão azul
Tão azul e tão vasto.

Dizem que é vasto!

Por entre dois penhascos
Eu só vejo um campo azul,
Estreito e muito comprido
Às riscas brancas, como um pijama
Ou o tecido de colchão antigo

E é molhado
E frio
Barurento
E zangado
E isto eu sei,
Que molha
É refrescante,
Barulhento e zangado.

Salgado também

Isso eu sei,
Porque me salpica, me refresca e não pára de fazer barulho!
E quando quero refrescar os lábios ... sinto-lhe o sal

E brilha ao sol. Quando o sol brilha.

E continua barulhento quando o sol se põe
E continua zangado quando este nasce e o pretende aquecer.

Talvez seja por isso!



Praia da Murração - 2016 ?

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Nesta busca

Nesta busca
De intermináveis instantes de harmonia
Descobrimos que o medo de os perder
Nos prendem e os diminuem
E a dor da perda prevista
Torna os instantes dolorosos
E dessa harmonia fica a saudade
De não saber fechá-la na mão
Para que perdure,
Só mais um instante!



2016.04.14

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

QUE TERRA ÉS TU


________, que terra és tu
Que aprisionas os teus naturais
E ofereces a liberdade aos forasteiros

Aqueles não se libertam
Dos teus tentáculos

Estes, oferecem-se
Livremente,
A ti

Tornam-te mais bela e produtiva.

Quantos dos primeiros definham e fenessem!
Quantos dos segundos progridem e prosperam!

Que maldição paira sobre uns
Que benção os outros encontram!


Julho 2016

quinta-feira, 19 de julho de 2018


NATAL!

Porque é que há Natal
Se os pobres são tão pobres
Se o frio é tão frio
Se a fome é tão companheira
E não há Natal!

Natal para os que já têm lume?
Para os que não têm frio?
Não têm fome
Onde é sempre Natal
Para quê mais Natal?

Dias frios, cinzentos
Cânticos de Natal pelas ruas decoradas
E  o Natal que tanto dói

De lembranças de Natais sem Natal

E de Natais com Natal!

Uma vida cheia de Natais tantos,
Deixa feridas que sempre ardem no Natal
Quando se acendem as lareiras
Dos que nem sabem que é Natal
Feridas que queimam nas cinzas de tantos natais!

Escondam-no dos desprotegidos !
Não os façam mais sofrer
Já que o não podem verdadeiramente  ter
Fechem os portões do Natal!
Não deixem que a caridade os encontre
A sua dor é maior quando aquela parte
E  promete voltar no próximo ano
E eles voltam a ficar mais sós
Sem Natal durante tanto tempo

Por favor fechem o Natal para obras
Reabram-no com entrada livre
Só então pode ser Natal!




2016.dezembro

sábado, 7 de julho de 2018

TENHO SAUDADES DE TI

Tenho saudades de ti
De um Tu
Que nunca foste
Que só existiu na minha cabeça
Que seria a outra parte de mim
Que que não existe
E que criei
Que quis ver em ti
E que por vezes, quase vislumbrei
Para a seguir me chorar, chorar de mim,
Não de ti
Porque eras só tu,
Um ser que eu uso
Como tu me usas
Como todos nos usamos
Só porque a humanidade é assim
E quer tudo a seu modo,
Até mesmo esperar do outro
Aquilo que não tem
E que o dinheiro
Não dá


2010 ??????

sexta-feira, 6 de julho de 2018


Esta permanente necessidade de finitude
De que tudo termine
Que tudo tenha fim
Que possa ser Nada
Nada sentir!

E todavia,
Surge a angústia
De não saber o que é Não sentir
O que é Não ser
Nada ser!

Ser ...cansa!
Não ser ... descansa

Como será Não existir?
E depois?

Haverá um depois
Mesmo se não existir?






???????????? Há vários anos

sábado, 30 de junho de 2018



O amor é tu existires
é me preferires à morte.

O meu amor por ti
não é assim tão grande.

Se a morte vier,
não sei se me lembrarei
de te convidar;

Se não te esquecerei
para simplesmente a seguir.

Não sei!
Não sei!

Há promessas que não se podem fazer
ou não se sabe se se podem fazer

Obrigada por estares aqui

22.04.2018

terça-feira, 26 de junho de 2018




Sente arrepios.

Pedaços do passado
Disparam sem sentido
Farpas envenenadas
À distância
De dezenas de anos.

Certeiras!

Como sempre!

segunda-feira, 25 de junho de 2018


Domingo de outono

Sol pálido e quente
Luz branda
Azulada pelo mar
Brilhante, de prata

Gente espojada
Despojada
Outonal
Desocupada

Lar de 3ª. idade e Jardim de infância
Ao ar livre
Ao ar livre da praia
Ao ar livre do mar

Gente que não teve um convite
Para almoçar

Gente que não tem
Um amigo
Um parente no hospital

Gente que tem
Uma casa sem gente

Gente que aquece o coração
Na areia quente e dourada

Os rebentos brincam na areia molhada,
Sem fulgor; apenas brincam.

Os pais escutam o mar
Para não escutarem mais nada


O que todos querem
É eternizar a modorrice
Deste domingo de outono
Antes do inverno dos dias

2017.10.01

sábado, 23 de junho de 2018

O ESPELHO

Ainda bem que o espelho é uma companhia esporádica e fugaz

Ainda bem; porque o espelho é muito acusador;
                    é adulador só com quem lhe convém;
                    raramente com gente de provecta idade

Ainda bem: porque o espelho é falso.
                    É falso e frágil
                    ao menor contratempo ...
                    lá se faz em mil pedaços;
                    às vezes não;
                    fica com uma racha, se não, várias,
                    a dividir imagens
                    como quem divide dividendos
                    daqueles que não rendem nada.




2017.07.17

segunda-feira, 11 de junho de 2018



Nos momentos pálidos de abandono
ouço o vento gélido,
gemer,
murmurante, inquieto,
tentando desvendar os mais reconditos segredos.

Um dia,
seduzida pelo seu doce sussurrar,
contei-lhe a minha dor
falei-lhe da minha saudade
e também do meu amor.

Contei-lhe
e ele compreendeu.

Então, senti-me leve, tão leve
que supus poder ser levada,
por ele,
para junto de ti, amor!

E a brisa fresca
acariciou-me o rosto febril,
e secou-me as lágrimas escaldantes
como se quisesse atenuar
a amargura da minha alma,
e a minha dor!


Escritos por volta de 1969/70

domingo, 10 de junho de 2018

Amigo, é tempo

Amigo, já é tempo de olhares o Universo
como um todo de que fazes parte

Já é tempo de com ele te harmonizares
de saberes que te dará o que lhe pedires

Pode ser para o teu bem
pode não ser

Ele só te escuta
e te dá
o que lhe pedires

Não discute!

Já é tempo de aprenderes a pedir
de aprenderes a aceitar

De aprenderes a agradecer

De te perdoares

Se errares!

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Esta raiva em mim


Esta raiva em mim
Que tenho contra ti

Pelo que não me deste
Pelo que não partilhaste
Pelo que me roubaste

Esta raiva em mim
Que tenho contra ti

Porque não me amaste
Porque não me sentiste
Porque não me quiseste

Esta raiva em mim
Que tenho contra ti

Porque não me ouviste
Porque me calaste
Porque me sufocaste

Esta raiva em mim
Que tenho contra ti

Pelos sonhos que ignoraste
Pelos sonhos que desmoronaste
Pelos sonhos que abafaste

Esta raiva em mim
Que tenho contra ti

Que me destrói
A mim
E a ti

domingo, 3 de junho de 2018

Só existo, porque existes


Só existo
Porque tu existes
Escolhi-te
Para poder existir

Se deixares de existir
D/existo

Não é porque te amo
Que existo

Existo
Só porque existes

No dia em que não estás
Não existo
Quase d/existo

Escrevo por ti
Para que me digas
Que existo

Não sei se preciso de ti
Não sei se quero
Existir
Ou d/existir

Não sei
Se sonho que existes
Se pesadelo é existir

Só existo
Se me olhas

Se não me vês
D/existo

Se trabalho
Existo

Na solidão
D/existo

Por favor
Fala comigo
Diz-me que existo

Se/não
D/existo


sábado, 2 de junho de 2018

Minha pedra

Minha pedra, minha pedra
Minha pedra que escolhi
Quem teria escolhido quem
Ou fui escolhida por ti

Minha pedra,  minha pedra
No meu sapato não
No meu pé também não
No meu caminho então?

Minha pedra no caminho
Tira-me desta encruzilhada
Que me põe a cabeça à roda
E não decido nada de nada

Minha pedra rolicinha
Deixa-me rolar contigo
Rolando, rolando
Talvez chegue ao paraíso

Minha pedra de dois bicos
Não sei o que me dizes
Minha pedra dúbia
Que caminho de perdizes!


Minha pedra , minha pedra
Fechada na minha mão
Ah se eu acreditar na tua energia
Não mais cairei em tentação

Não me encostes à parede
A que até pareço incrustrada
Serve-me antes de apoio
Para dela ser libertada

Minha pedra quadradinha
Como és tão engraçada
O que é que me respondes
Quando não te pergunto nada

Quando não te pergunto nada
Não tens nada que me dizer
Minha pedra quadradinha
Não me venhas aborrecer

Minha pedra bicudinha
Oh que pedra tão bicuda
Ouvi chamar "queridinha"
Não sei se lhe acuda


Minha pedra tão branquinha
Onde foste branquear-te
Diz-me, por favor, como
Encontrar um pouco de arte

sexta-feira, 1 de junho de 2018




Que dor!

Que sofrimento era aquele?
A quem poderia perguntar?
Talvez a Ninguém!
Ninguém sabe tudo!
Como explicar a Alguém o que Ninguém sabe?
Talvez todos sintam Aquela dor 
E não contém a Ninguém
Porque Ninguém sabe tudo 
E ela não quer que Ninguém saiba
Como se Alguém quisesse saber!
É melhor Ninguém saber!
Amanhã a dor terá passado
Talvez para outro lado
E Ninguém ficará a saber
Ou talvez morra dessa dor
E então ...
Ninguém saberá!



escrito há vários anos

Quero chorar um pouco

Há tanto por que chorar
Que escolher é difícil

Quero lavar a alma
Expulsar este sal
Que empederniza
Me incomoda e não larga

Preciso de uma enxurrada
Que derreta e desfaça estes cristais

Só não sei abrir a minha fonte
De água abençoada

Ou estará seca ...
Tão seca, tão seca que me queima

Não quero queimar ninguém!
E assim me consumo nesta fogueira
Que importuna quem me cerca
E não sabe como atirar uma gota
Que me alivie

Sabem que qualquer partícula
Pode provocar o "estalar da porcelana"

É isso!
Essa aparência de porcelana!

2014.08.21


sexta-feira, 25 de maio de 2018

Já tantas vezes morri

Já tantas vezes morri
Sim, que se isto não é morrer 
Viver é que não é 

Não é por mágoa, desconsolo
Será físico ou emocional 
Não sei

Sentir os limites fisicos
Estar no limite do psíquico 
Desconhecer se a barreira para o outro lado
É ténue como parece

Retornar a uma vida
Onde o estímulo para viver 
É nulo

Chega a ser vergonhoso 
Ter pernas para andar
Braços para trabalhar 
Cabeça para pensar 
Só em inutilidades 

E nada fazer
Por não poder 
Ou não querer?


Não sei
Se posso 
Ou se quero



terça-feira, 6 de fevereiro de 2018




Poema que eu fiz  (acho eu )

Tudo o que existe está dentro de mim! 
Se tu existes é porque deixei que entrasses!

Se o sol existe é porque eu o permiti

O bem e o mal, é porque eu consinto

Nem tão pouco me forçam: 
Simplesmente deixo.

Queria comprar uma peneira
Onde só o bom e o  belo pudessem passar:
Não encontrei !
E deixo tudo entrar !
E quando rejeito, não sei se rejeito o bem ou o mal;
Nem todos trazem etiqueta. 

Há dias em que o bem me protege
Em que o bom me presenteia
E dias cinzentos que não sei o que são
E dias horrível que nem a cor lhes reconheço 
E todos estão dentro de mim!

Eu sou um mundo!
Rodeado de mundos
Dentro dum mundo 
Noutros mundos envolto!

O amor, sempre o amor

O amor une, dizem
O desamor desune, dizem
O amor-química, une
O amor-apego desune
O amor-harmonia -natureza está em toda a parte
Tal como o amor-crueldade-natureza 
O amor-sensivel, bonito, gostoso,
Sem barreiras,  extasiante ...


 2015
Agosto 

Tarde de calma, sem alma,  que  não acalma 
Sem mar, sem ondas curtas
Sem praia que anuncie maresia
Tarde, tarde, com as mesmas casas de sempre 
As mesmas árvores envelhecidas
Que guardam segredos e lágrimas. ..
Sem sal


Quando? Num qualquer mês de Agosto ...
Estou dentro de um filme 

Estou dentro de um filme 
Não sei o guião 
Desconheço o tema 
Assisto, actuo 
Actuo,  assisto 

Estou dentro de um filme 
Como vim aqui parar? 
Não sei o guião! 
Desconheço o tema! 

Não me atrevo a sair 
Mesmo quando detesto a cena 
Estou presa na película 
Se dela me quiser descolar 
Já me disseram : Não! Se sais...
Não podes voltar a entrar! 

E eu vou ficando. ..
Já me aborrece este filme! 
E de assistir a tantos outros! 
Tantos! Tantos! 

Actuo,  assisto, 
Assisto,  actuo
Até quando? 

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Detesto-te
Detesto-te
Detesto-te

Não te quero ao pé de  mim 
A tua sombra irrita-me
Esfolas -me a alma
Que negreja ao ver-te

Quero-te longe!
E Feliz !
Quero ser livre de ti!
Desagrilhoa-me!
Desagrilhoa-te de mim!

Esquece-me
Não pronuncies o meu nome
Não fales de mim a ninguém 

Encontra-te
E não penses no futuro em que nunca pensaste 
Não é agora que ele vai  começar a existir 

Não quero ter mais nada a esperar de ti
Não esperes mais nada de nada de mim

Faz de conta que já atravessei o rio do esquecimento 

Para mim já o atravessaste
Por isso não me mostres nem a tua sombra
E deixa-me antes amar-te!




Eu (quando????) devia estar muito zangada ... e apesar de tudo ....Não!