Viste o mundo mudar
Desde a pedra forjar
Ao drone a voar
E não mudaste nada
Não vês o olhar suplicante
De uma criança
O olhar desesperado
De uma mulher
O olhar, doce
Ou assustado
De um animal
Tens olhos
Não és cego
Todavia não vês
Tens coração e não sentes
Tens cérebro e nada sabes
Pensando tanto saber
Não mudaste nada
Apesar de teres mudado o mundo
Precisas de olhos que vejam
Coração que sinta
Deixa que outros continuem a mudar mundos
Quando sabes que podes mudar
Tudo o que os outros não querem mudar
Porque eles querem
Crianças tristes
Que fingem consolar
Mulheres desesperadas
Que fingem apoiar
Animais doces ou assustados
Que fingem proteger
Eles não precisam que finjas
Eles sabem que só tu
Podes mudar
O que eles não podem
Ou não querem
Muda, homem!
Muda!
Abre a janela da prisão
Onde também te tornaste prisioneiro
Embora penses que não!
Abre a janela!
Não tenhas medo
Atira-o daí mesmo!
Esse medo que transportas
Junto com a pedra
Que trouxeste contigo
Desde o princípio dos tempos!
Não faças dela mais esculturas do medo
Atira-a pela janela
Não fiques a olhar para ela
Que te lançará o seu poder de atracção.
Deixa que ela transporte o teu medo
E liberta-te, já,
Dos seus milenares grilhões
E muda, homem!
Muda!
quinta-feira, 26 de setembro de 2019
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