MIGUEL OU DOM QUIXOTE
Nem ele mesmo saberia quem era.
Tempos havia que se dissera Cervantes
_D. Quixote? Perguntaram-lhe?
Tinha, pelo menos, uma triste figura.
Irritado, respondera:
_Não! Miguel de Cervantes Saavedra!
Sentado nos degraus da praça
Ao lado uma sacola com papéis e jornais
Afiava, com a navalha,
Um a um, um molho de lápis em fim de vida
Sacava de uma folha amarrotada e escrevia.
O vento soprava forte, desrespeitoso
Subtraiu-lhe, por entre os dedos finos e um pouco trémulos,
A folha amarelecida como a das velhas árvores circundantes
E leu-se, algures:
“Perdi tempo a lutar contra moinhos de vento;
Perdi a vida amando em silêncio”.
Talvez não fosse D. Quixote
Talvez fosse Miguel
E sentisse como Cervantes!
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