PALAVRAS EM VENDAVAL
Entre montanhas e penhascos
Seguras o mundo com os pés
Metidos em rochas nuas nunca calcadas
Buracos de lua apagada
No espírito fugaz do tempo
Atalhos armadilhados de tempestades
Barcos afundando no rio
Afogam fagulhas de saudade
Em silêncios despedaçados
Medem distâncias imensuráveis
Palavras em vendaval uníssono
Cantam orvalhos amargurados
Em gotas de friagem dissipada
Fantasmas desassombrados pela noite
Brilham em centelhas de correntes
Viajantes arrepiados em pó de ouro
Esculpem diamantes com perícia
Equilibrados numa corda da via-láctea
Ambicionam um
rebanho de fofas nuvens
Para desvendar a poesia das palavras inquietas
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