SOL DE PEDRA
Enlace de amores envelhecidos
Mapeado de novas respirações
Como centelhas de florestas abatidas
Procuram, exaustos, uma última ilha
Com incêndios de neve parda
Achado e tangido o sonho parado
Transformam hábitos magoados
Em frutos trémulos e pétalas rumorosas
Quebram os frenéticos relógios do tempo
Com a naturalidade das coisas incertas
Numa fonte de orvalho,
De jasmins perfumados
Soa o eco de um abismo
De fundos secretos e estreitas galerias
Oceano de testemunhas cristalinas
Agitam-se bandeiras de vidro
Respiram-se ventos e pássaros
Em música ilógica e desfeita
Dispersando pensamentos estilhaçados
De génios enigmaticamente perdidos
Empurram uma porta imaginária
Com sólidas forças silenciosas
Imitando as pedras do rochedo
Rasgam lentamente o nevoeiro dos tempos
E esperam, por fim, o último sol, com cheiro a maresia.