quarta-feira, 28 de junho de 2023

 

SOL DE PEDRA

Enlace de amores envelhecidos

Mapeado de novas respirações

Como centelhas de florestas abatidas

Procuram, exaustos, uma última ilha

Com incêndios de neve parda

 

Achado e tangido o sonho parado

Transformam hábitos magoados

Em frutos trémulos e pétalas rumorosas

Quebram os frenéticos relógios do tempo

Com a naturalidade das coisas incertas

 

Numa fonte de orvalho,

De jasmins perfumados

Soa o eco de um abismo

De fundos secretos e estreitas galerias

Oceano de testemunhas cristalinas

 

Agitam-se bandeiras de vidro

Respiram-se ventos e pássaros

Em música ilógica e desfeita

Dispersando pensamentos estilhaçados

De génios enigmaticamente perdidos

 

Empurram uma porta imaginária

Com sólidas forças silenciosas

Imitando as pedras do rochedo

Rasgam lentamente o nevoeiro dos tempos

E esperam, por fim, o último sol, com cheiro a maresia.

 

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