segunda-feira, 16 de dezembro de 2019



Que seria hoje diferente
Se não  fosse esta teimosia de te amar
Se me tivesses escutado
Se comigo tivesses abraçado sonhos
Se tivesse conseguido acordar-te
Se tivéssemos viajado para um outro céu 
Se a vida não tivesse caído na desilusão 

Cansei de te amar

Estou de partida;
Quero viver outras páginas 
Que não estas
Gastas
Gastas 
Gastas 

Onde não exista a palavra desilusão 

2019.11.07




Um dia perfeito 

Num dia perfeito 
Fechou os olhos 
Desafiando o silêncio

Escutou palavras de deleite 
Sedutoras e tranquilase 
Esquanto a envolvia
Num abraço suave

O perfume do paraíso 
Penteava-lhe o cabelo
Que dle aspirou comoa vida

Um lago morno e.     Trabquilo
Um beijo na face de um anjo
Um sorrisona alma
Uma manhã ressuscitada



********

A dança intranquila dos bramidos do mar ao fundo
Uma chuva difusa esbate os contornos docaminho

Apetece-me una chávena de chá 
E sinto saudades dos acordes da tua guitarra

A noite trás-me o cheiro da maresia
E por entre os relâmpagos que me incendeiam 
Vejo a tua silhueta, como se as forças da natureza
Me quisessem acalmar a nostalgia 
Num desmedido espectáculo de folhas
Soltas com letras e zcordes
Que o vento forte teima em trazer
De encontro ao vidro da janela 
Onde me prostro
Pronta a iluminar o teu caminho sem regressar 

2019.11.


Deixaste que partisse. 
Ficaste triste, merencório
Doeu-te a vida
E a casa desarrumada 

 Não quis estar numa vida emprestada
Doía-lhe, a ela
O desarrumo da alma 

A vida que tiveste
Era uma vida emprestada
A dela, que levou consigo na pouca bagagem 

Ficaste desalinhado no caminho
Onde os sentimentos, as palavras e as acções 
Estão entregues ao vento 
Como a tua vida, afinal!


2019.11.


Um olhar canalha
Entre paredes de vidro

Como fogo na palha
Capa de um mau livro

Intrigas
Conspirações 

Entre amigos 
E paixões 

Desabrocham
Entre cães de luxo 

E rãs que coacham
São flores
Mas não bucho

Entre o fragor da turba
Eufórica e agitada
Há um desvão que perturba
Uma poesia acetinada 



2019.11.02



O rumor das estreias 
Muda com a cor dos rostos
Escuridão e luz 
Que define os corpos

Rubras nuvens 
Serpentina de arco-iris
AaAGITADA E EUFORICA

Relâmpagos em lume curtante
Tempestades pela manhã 
Mudam sonhos
E a cor dos teus olhos 

Lago de águas escuras
Sepultam passados 
Angustiados e vãos 
Em melancólicos crepúsculos

2019.11.04


sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Um dia perfeito 

Num dia perfeito 
Fechou os olhos 
Desafiando o silêncio

Escutou palavras de deleite 
Sedutoras e tranquilas
Enquanto o envolvia
Num abraço suave

O perfume do paraíso 
Penteava-lhe o cabelo
Que ele aspirou como a vida

Um lago morno e tranquilo
Um beijo na face de um anjo
Um sorriso na alma
Uma manhã ressuscitada

Há dias perfeitos!

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Deixaste que partisse. 
Ficaste triste, merencório
Doeu-te a vida
E a casa desarrumada 

Não quis estar numa vida emprestada
Doía-lhe, a ela
O desarrumo da alma 

A vida que tiveste
Era uma vida emprestada
A dela, que levou consigo na pouca bagagem 

Ficaste desalinhado no caminho
Onde os sentimentos, as palavras e as acções 
Estão entregues ao vento 
Como a tua vida, afinal!


Nov. 2019

sábado, 30 de novembro de 2019

Atravesso a rua 
E não sei para onde vou 

Pedaços de vida 
Espalhados pelo chão
Sem destino 
Sem rumo 
Sem orientação 
Faça sol ou chuva não 

Espero não sei o quê 
Procuro o que encontrar 
Dados caídos na mesa de jogo
Olhos trespassados de luar

Sol que nasce sem saber para quê 
Sombra esguia que morre no fogo
Vulto que surge do ar
Esquecido, desfigurado 
Pássaro assustado 
Escuridão sem par

Mãos apertadas sem emoção 
Cheias de tudo e de nada
Paraísos desertos de fantasia 
Nostalgia de noites de escuridão 
Em desânimos,  e loucura confinada
Músicas envoltas em malvasia

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

CORES

Olho a natureza
E reparo que lhe falta uma cor
A dos risos, das gargalhadas

Já não ouço as cores
O silêncio tingiu tudo de cor nenhuma
Nem mesmo a da ilusão 
Que nos fazia acreditar
Que tudo existia
Até o amor

Já não ouço as cores da vida
Por onde caminhava a teu lado 

Já não ouço as cores dos sonhos 
Que abrigavam desejos e labirintos 

Já não ouço as cores da poesia 
Desenhada com a tinta da emoção 

Já não ouço as cores do teu abraço 
Alma minha, remoinho de tempestade

2019.11.07

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

ESTE POEMA NÃO É MEU

Este poema
De palavras roubadas 
Aqui e ali
Não é meu

E poema não é.

São palavras roubadas: 
Não aos poetas: 
Aos ignorantes
Aos sonhos
Ao vento
Aos desiludidos
Às tardes
Às madrugadas
Aos rostos
Tristes e mirrados

Não, não é poesia 
Nem lanterna
Nem janela ao anoitecer

É desilusão
Inconsciência
Ovelhas sem pastor
Meio-dia sem sol

Talvez este poema
Sem poesia alguma
Talvez, afinal
Seja meu

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

A praia estava deserta

Surgiste, figura escurecida
Contra o sol recém-nascido.
O mar recuara 
Para te deixar passar 
Num passo seguro e determinado
Como o dos autómatos

 É fácil seguir um caminho já traçado;
 Passaste
 Nem me olhaste

A praia ficou mais deserta

Na manhã seguinte
Lá estava a praia  
Mais deserta que nunca 
Porque tu não estavas   

As gaivotas regateavam os moluscos
Que a maré baixa deixara

Mas a praia estava tão deserta 

O verão chegou
Milhares de veraneantes 
Ululavam pela praia
Que continuava deserta 
Porque tu não estavas

Que feitiço foi esse
Se nem sequer me olhaste

Deixaste-me tão deserta
Como a praia
Num dia de vendaval
Em que nem pairam gaivotas 

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Viste o mundo mudar
Desde a pedra forjar
Ao drone a voar

E não mudaste nada

Não vês o olhar suplicante
De uma criança

O olhar desesperado
De uma mulher

O olhar, doce
Ou assustado
De um animal

Tens olhos
Não és cego
Todavia não vês

Tens coração e não sentes
Tens cérebro e nada sabes
Pensando tanto saber

Não mudaste nada

Apesar de teres mudado o mundo
Precisas de olhos que vejam
Coração que sinta

Deixa que outros continuem a mudar mundos
Quando sabes que podes mudar
Tudo o que os outros não querem mudar

Porque eles querem
Crianças tristes
Que fingem consolar
Mulheres desesperadas
Que fingem apoiar
Animais doces ou assustados
Que fingem proteger

Eles não precisam que finjas
Eles sabem que só tu
Podes mudar
O que eles não podem
Ou não querem

Muda, homem!
Muda!

Abre a janela da prisão
Onde também te tornaste prisioneiro
Embora penses que não!

Abre a janela!
Não tenhas medo
Atira-o daí mesmo!
Esse medo que transportas
Junto com a pedra
Que trouxeste contigo
Desde o princípio dos tempos!

Não faças dela mais esculturas do medo
Atira-a pela janela
Não fiques a olhar para ela
Que te lançará o seu poder de atracção.

Deixa que ela transporte o teu medo
E liberta-te, já,
Dos seus milenares grilhões
E muda, homem!
Muda!


terça-feira, 24 de setembro de 2019

Tudo Perdeu
Tal como queria
Nada deixar

Não foi o fogo ancestral
Não foi a água diluviana
Não foi um ciclone

Foi o universo
Pelo moderno meio digital

Um computador
Um disco externo
Palavras incompreensíveis
Para as nossas avós

Que nunca perderiam
Momentos e fotografias
Que guardavam na memória
Aquela caixinha sempre pronta
Que levavam com elas para toda a parte

Não a deixavam de herança:
Antes a tinham partilhado.
E levaram-na consigo
Para todo o sempre!

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Oh, terra seca
Qual alma vazia
Que semente
Se aventura
A em ti germinar!

Unes-te ao ar quente
Que te lambe
Até ao sol pôr

Delicias-te ainda um pouco
Até que chega a humidade, pouca
E te cobre sem consentimento

Chega a manhã
E não te precavês
Contra o ar quente
Que absorves, oh sertã

quinta-feira, 20 de junho de 2019

QUERO SER

Estou cansada da vida
E, paradoxalmente, sinto,
Angustiada,
Que uma só vida
Não me basta

Quero ser tanto,
E tantos
E não sou nada
Não sou ninguém

Quero ser rica
E ociosa
Quero ser indigente
E sofredora
Quero ser desprendida
E bondosa
Quero proteger
Os desamparados
Quero ser só
E ser amada
Ser intocável
E prostituta
Viver uma vida calma
E uma vida agitada
Ser madrugadora
E ser noctívaga

Sou tudo isso
E não sou nada disso

Ou uma mistura disso

Quero morrer já
E chegar a velha
Quero ser doutora
E não quero

Quero ser escritora

Quero ser artista
Não sei de quê
Quero pintar uma tela
Sem usar tintas nem pincéis

Quero
Quero
Quero

Basta querer

Mas o quê?

Que posso eu querer?

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Rasguei o véu por ti
Por entre espinhos e ortigas

A pele rasgada
Não sente  ardor
 Senão o do teu olhar
De que dependo
Para respirar
Poesia
E caminhar de mãos vazias
De flores perdidas
Na lonjura dos sonhos
Crestados pelo cansaço 
De um tempo 
Que o pensamento levou
E rasgou em pedaços 
Perdidos ao vento 



2019.05.10

sábado, 27 de abril de 2019


Nada


Tantas pessoas na praia
Sem nada para fazer
Nada, mesmo nada?

Que nadar
É próprio de quem vem à praia!

Mas nem isso!

Tantas pessoas na praia
Sem nada para fazer
Nem nadar sequer!

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Um dia quente

O dia estava quente
Escaldante
Tórrido
Quase fumegante
Como os nossos corpos
As nossas emoções
Os nossos sentimentos

Águas ondulantes
Límpidas
Mornas
Das praias do Algarve
Insuficientes
Para amenizar aquele dia
Quente
Escaldante
Tórrido
Quase fumegante


Como os nossos beijos
Que se sucediam
Quentes
Tórridos
Fumegantes

terça-feira, 23 de abril de 2019




Tudo é mais intenso
Quando é vivido hoje

Fazer de conta
Que não se sabe,
Dói

Ignorar,
Sabendo,
Dói

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Não queres acreditar

O vento sussurra-te ao ouvido
O que quero ouvir
E que não tens coragem de me dizer

A montanha acena-te ao longe
O caminho
Enquanto te deslumbras
Com o brilho dos meus sapatos

O mar
Na fúria das suas ondas
Grita-te, com estrondo,
Que sigas os teus sonhos

E tu
Não queres acreditar

terça-feira, 9 de abril de 2019

ARRIFANA

O mar era azul
O céu cor-de-rosa
E eu sem saber o que sentir
Perante beleza tão poderosa

As ondas mansas e cadentes
Na breve noite delirante
Eram macios toques dos teus dedos
Outrora leves, agora distantes

E porque o frio húmido e azul
Vagueia em busca de gente
Encontrou-me no cimo do monte
No horizonte laranja ardente

terça-feira, 2 de abril de 2019


Sonhos Azuis

Sonhos azuis
Portas abertas
Rumos perdidos 
Cheios de giestas

És o que foste
Serás o que és
Buscas o horizonte 
E não encontras o Este

Forte não és 
Jamais o serás 
Olha para ti
O futuro verás 




sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Ai como é belo tudo o que não escrevi

O que não escrevi não ofusca, não agride
Ai como é belo o que não escrevi
Não comove e não aborrece .

Preciso de tempo para arrumar o que não escrevi
Como quem ordena um antigo ficheiro em cartão

Ah, que lindos volumes ...
Que bela encadernação ...
Como fica bem em qualquer estante
Tanto que não escrevi