Era uma vez uma estrelinha, que brilhava ...brilhava ...
Lá no céu, avó?
Bem, o céu já tem muitas estrelas, esta brilhava onde precisava brilhar!
Onde, avó, numa casa?
Isso mesmo, era numa casa que a estrelinha brilhava.
Numa casa pequenina?
No principio, sim, numa casa pequenina, quando a estrelinha também era pequenina.
E depois, avó?
Depois, a estrelinha foi crescendo e um dia foi passear ao jardim com a avó.
Um jardim com muitas flores e um baloiço?
Sim, tinha um baloiço, e num banco do jardim, mesmo à frente do baloiço, estava uma senhora muito triste, com a cabeça pendida para o colo e não olhava sequer para o canteiro de flores mesmo a seu lado.
Porque é que a senhora estava triste avó?
Foi isso que a estrelinha perguntou à avó, mas a avó não sabia.
E foi perguntar à senhora?
Não, não foi, mas a estrelinha ficou com pena das duas; da senhora por estar tão triste e por a avó ter ficado também um pouco triste por não saber.
E depois?
Depois foi então que a estrelinha, já satisfeita de andar de baloiço, se aproximou da senhora triste e como junto do banco o canteiro estava repleto de florezinhas, colheu uma, apenas uma ...
Mas não se pode apanhar flores nos jardins que não são nossos. ..
Pois não, por isso a estrelinha apanhou só uma, muito pequenina, para não causar estrago e colocou-a na cavidade da mão, quase fechada, da senhora triste, e ficou ali à espera ...
A flor cheirava bem, avó?
Cheirava, sim, e a senhora estremeceu um pouco, como se tivesse acordado, olhou para a sua mão que continha agora uma flor, que parecia ter-lhe nascido mão. ..
E a avó da estrelinha não se zangou com ela por ter apanhado a flor?
Não. Apesar de ter quebrado uma regra, por vezes para fazermos alguém feliz, isso é necessário e não é assim tão repreensivel.
E depois?
Bem, no dia seguinte voltaram ao jardim; viram primeiro, a alguma distância , se a senhora triste estava no parque e viram que sim e pareceu -lhes que não estava tão triste como no dia anterior.
Porquê, avó?
Bem, a senhora tinha a cabeça erguida e, de quando em vez, olhava em redor.
Estava à espera que outra menina colhesse outra flor para ela?
Talvez, e então, avó e neta foram à florista, ali mesmo ao lado, comprar uma flor, que a estrelinha escolheu e ...
Era uma flor bonita, avó?
Muito bonita, um lindo e sorridente girassol!
Ah, também temos no nosso jardim, e é a minha mãe que põe as sementinhas na terra para eles nascerem!
É verdade, têm sempre muitos e bonitos! Continuando, a estrelinha e a avó dirigiram-se para o banco onde estava a senhora, que quando as viu, mais o girassol, sorriu. Já não estava triste, embora uma lágrima teimosa lhe rolasse pela face.
Porque é que a senhora chorava? Não gostou da flor?
É que por vezes há lágrimas que há muito tempo estão para se soltar e a tristeza não deixa e que só se soltam quando esta se vai embora.
E como é que a tristeza da senhora triste se foi embora?
Porque a estrelinha, com o seu brilho, o seu gesto espontâneo de lhe oferecer uma flor quando a viu triste, afastou dela a tristeza.
E depois, avó?
Depois a senhora contou que também tinha uma neta que já tinha sido assim como a estrelinha, mas que quando cresceu se foi esquecendo da avó e era por isso que estava triste.
Quando eu crescer, avó, venho à mesma passar férias contigo; contas-me muitas histórias e depois escrevemos uma história as duas, o avô faz os desenhos e eu pinto. Pode ser, avó?
Sim, minha querida, a nossa história já começou a ser escrita desde o dia em que nasceste e talvez ainda muito antes. Uma história muito bonita!
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