terça-feira, 27 de julho de 2021

 

AS TRÊS INCERTEZAS
Era uma vez, três incertezas que sonhavam libertar o mundo brutal, enquanto esperavam, à janela, as icónicas frases que ocorriam, mimadas e sonantes, ao final do dia.
As três incertezas analisavam conflitos existenciais andando por toda a parte como fadas ilusórias que acordassem numa estranha praia durante um temporal.
As três incertezas escalavam arrogantes descaminhos disfarçados de simbólicos infernos, buscando cérebros, e bocas sem bigode, que libertassem pássaros agrilhoados.
As três incertezas tomavam pequenas, mas fortes asas, adaptadas a pensamentos falhos de contidas alegrias ao abraçar pálidos outonos.
As três incertezas espantavam infelizes e sonhadores índios, brilhando na amargurada imaginação das areias sonantes dos desertos da loucura.
As três incertezas contavam com simbólicas forças para desenrolar o mundo preso a desconhecidas, mas caprichosas, ideias de crueldade.
As três incertezas espalhavam longos e serenos abraços, livres do fogo azul da trágica paixão, e alegravam-se na tormentosa diversidade das pequenas recompensas dos génios das velhas e repetidas histórias
As três incertezas cogitavam reunir certos peixes chamados Júlia, em torno da fina música de caprichosas abelhas, expulsas da colónia.
As três incertezas esperavam, indecisas, que manifestas filhas de algum romance aberto no tempo do drama sem limite de páginas nem espaço, tal invasão num dia de ideias ao ritmo da diversidade dos seres, puxassem um único e invisível cordelinho e desatassem o mundo, que cairia, em pose fetal, no jogo dos seus braços.
As três incertezas criavam manifestações de lugares, com largas portas de alegria bastante para infâncias sem negruras, sem casacos apertados nem trilhos de terra sulcados de esqueletos de macacos.
As três incertezas afirmavam, incertas, possuir muito mais claras e obscuras incertezas para além da medíocre e ressequida armadura revelada à luz fosca de um sol sombrio e aberto às falhas de altas e divinas indecisões.
Um dia, as três incertezas viram-se cerceadas, sufocadas, armadilhadas, por tantas e tão incertas certezas, que, na incerteza da certeza, sumiram, num mundo brutal, enredado, atado, preso para sempre às perpétuas certezas incertas.
Não há Vitória. Não acabou a história. Porque as três incertezas andam por aí, em parte incerta, como convém às incertezas incertas.
2021.07.03
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