Frágil embarcação
Frágil embarcação para atravessar
O vasto rio da ignorância
E deitar a afogar a ganância
Toda uma vida
Para empreender ou consumar a travessia
Alcançar a outra margem
E libertar-se do
sofrimento
É ainda muito jovem;
Desconhece de que é constituída a embarcação
Uma vida inteira golpeada
Por toda a espécie de flechas
De desejos, de medos, de doenças
De envelhecimento e de morte
Porém, deixou de se interrogar
De procurar a essência que sana,
Ou minimiza, as chagas
De tão delicado barco
Como o é a vida humana.
Que contenha a consciência de que, agarrá-lo,
Como se fosse a própria felicidade,
É a base do medo e do sofrimento
Não se pode agarrar a embarcação
Que nasceu para navegar
Transportando a caixa de cada um;
Não a de Pandora,
Onde ficou a esperança prisioneira,
Apenas, e tão somente, a sua,
A da humanidade
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