sexta-feira, 26 de novembro de 2021

 

Frágil embarcação

 

Frágil embarcação para atravessar

O vasto rio da ignorância

E deitar a afogar a ganância

 

Toda uma vida

Para empreender ou consumar a travessia

Alcançar a outra margem

E libertar-se  do sofrimento

 

É ainda muito jovem;

Desconhece de que é constituída a embarcação

Uma vida inteira golpeada

Por toda a espécie de flechas

De desejos, de medos, de doenças

De envelhecimento e de morte

 

Porém, deixou de se interrogar

De procurar a essência que sana,

Ou minimiza, as chagas

De tão delicado barco

Como o é a vida humana.

 

Que contenha a consciência de que, agarrá-lo,

Como se fosse a própria felicidade,

É a base do medo e do sofrimento

 

Não se pode agarrar a embarcação

Que nasceu para navegar

Transportando a caixa de cada um;

Não a de Pandora,

Onde ficou a esperança prisioneira,

Apenas, e tão somente, a sua,

A da humanidade

Sem comentários:

Enviar um comentário