O HOMEM
Pálido e sereno dia platinado
O sol, preguiçoso, foge ao brilho do orvalho
O homem, trémulo, em passos lentos e graves
Pensa em deuses desterrados, em vidas distantes
Sem nada nas mãos entorpecidas que já seguraram louros
Senta-se ao sol sem brilho e sem cor
Varre da alma memórias esculpidas pelo tempo
Sombras de noites antigas, anteriores a tudo
Encobrem amores, ecos de glórias, riquezas tantas
Numa solene consciência de repetidos outonos
Deslembrou velhos desejos, horas furtivas que não tornam
Indiferente às plantas ainda floridas que já não olha nem vê
Como se tempo, vida e morte fossem uma só
Imutáveis no eterno ciclo infindo, clausura imemorável,
Folhas caídas no inverno que não tarda, inclemente.
2021.12.22
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