quinta-feira, 7 de julho de 2022

 

 O HOMEM 

 

Pálido e sereno dia platinado

O sol, preguiçoso, foge ao brilho do orvalho

O homem, trémulo, em passos lentos e graves

Pensa em deuses desterrados, em vidas distantes

Sem nada nas mãos entorpecidas que já seguraram louros

 

Senta-se ao sol sem brilho e sem cor

Varre da alma memórias esculpidas pelo tempo

Sombras de noites antigas, anteriores a tudo

Encobrem amores, ecos de glórias, riquezas tantas

Numa solene consciência de repetidos outonos

 

Deslembrou velhos desejos, horas furtivas que não tornam

Indiferente às plantas ainda floridas que já não olha nem vê

Como se tempo, vida e morte fossem uma só

Imutáveis no eterno ciclo infindo, clausura imemorável,

Folhas caídas no inverno que não tarda, inclemente.

 

2021.12.22

Sem comentários:

Enviar um comentário