quarta-feira, 3 de julho de 2024

 

FULGORES DESBOTADOS

 

Paisagem transparente e infinita

Entre flores pálidas e sombrias

Ardem, vagarosamente, renques de árvores

Como se expirassem ao luar

Numa demorada e incerta tarde

 

No teu corpo estendido sobre a areia

Adormeço entre sons soprados pelo vento

Sou o centro ilusório do mundo

Levemente tocada por vaga inspiração

Entre incêndios de conchas tecidas de luz

 

Em preguiçosa e cristalina ilusão

O tempo esvai-se entre róseos crepúsculos

E há um lugar de miragens sem fim

Outro mundo sem mim e sem ti

Onde acordam, por entre lírios, sábios pescadores

 

Divago por entre poemas esquecidos

Perfeitos em instantes imperfeitos

E, já em plena e mansa madrugada,

Na vastidão do silêncio, olho de mim para ti

Sem querer acordar, incógnita e esquecida

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