FULGORES DESBOTADOS
Paisagem transparente e infinita
Entre flores pálidas e sombrias
Ardem, vagarosamente, renques de árvores
Como se expirassem ao luar
Numa demorada e incerta tarde
No teu corpo estendido sobre a areia
Adormeço entre sons soprados pelo vento
Sou o centro ilusório do mundo
Levemente tocada por vaga inspiração
Entre incêndios de conchas tecidas de luz
Em preguiçosa e cristalina ilusão
O tempo esvai-se entre róseos crepúsculos
E há um lugar de miragens sem fim
Outro mundo sem mim e sem ti
Onde acordam, por entre lírios, sábios pescadores
Divago por entre poemas esquecidos
Perfeitos em instantes imperfeitos
E, já em plena e mansa madrugada,
Na vastidão do silêncio, olho de mim para ti
Sem querer acordar, incógnita e esquecida
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