terça-feira, 21 de novembro de 2017



DOIS POETAS

Um, analfabeto de escrita, não da vida, não do coração
Fala dos rios, das fontes
Dos animais e do sol e do vento
E das crianças
Em quadras simples
Que rimam,
Com harmonia

O outro, declama,
Com ardor
Porque fala na mulher
E nos seus atributos;
Sem rima
Para ouvidos 
Que não o entendem

A poetisa que nasceu
Com a rima na mente e no coração
Ouve declamar
Vinícios de Morais
E ouço-a exclamar
Enquanto me olha, confusa,
É isto poesia?!

Explico-lhe:
Há muito que os tempos mudaram
E poesia deixou de ser rima
E passou a ser melodia
Melodia, melodia, melodia!



                18 de Março de 2017




domingo, 19 de novembro de 2017

Quem sou eu?

Não sou este corpo
Serei a mente
Serei a alma
O espírito que me anima?

De onde vim
Quem me criou
Quem me enviou
A este mundo
Que dizem de ilusão
Que talvez não exista
Nem mesmo eu

Serei um sonho?
Um sonho de quem?

Quem me governa?
Que eu não sou!
Mas também não sei quem é Eu
Talvez seja o Eu quem me governa
Que eu não conheço
E a quem obedeço
Tantas vezes contrariada
Sem vontade de nada

Não sei se é preciso haver um objectivo
Para viver,
Outra coisa que também não sei o que é;
Não sei se é existir:
Existir onde, como, para quê e porquê




Quando ? Um ano ... dois ... por aí ... ou mais

sábado, 18 de novembro de 2017


UM LAGUINHO

Acho que a minha vida é um "laguinho", onde vivo num barquito e cujas águas não sei o que escondem.
Por vezes aborreço-me com a calmaria e outras vezes sou "abanada" pelas "coisas" que se escondem naquelas águas de aparência tranquila.
Umas vezes os "abanões" são bons, outras vezes não, outras são apenas engraçados ou divertidos ou apenas diferentes.
Essas "coisas", umas boas outras não, vêm à superfície e saltam, outras apenas afloram, outras ainda sei que lá estão.


Já tantas vezes morri!


Já tantas vezes morri!

Sim, porque se isto não é morrer

viver é que não é.

 

Não é por mágoa, desconsolo

será físico ou emocional

não sei.

 

Sentir os limites físicos

estar no limite do psíquico

desconhecer se a barreira para o outro lado

é ténue como parece.

 

Retornar a uma vida

onde o estímulo para viver é nulo,

chega a ser vergonhoso

ter pernas para andar

braços para trabalhar

e cabeça para pensar

só em inutilidades inúteis!

 

E nada fazer

por não poder,

ou não querer?

Não sei

se posso

ou se quero.

 

















Quando ? há vários anos

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

PARECE UM CONTO mas não é

Era uma vez uma pessoa que vivia triste; não se sentia querida, não tinha nenhum apego em particular, duvidava da utilidade da sua existência, e mesmo da própria existência. Mas tinha uma vida; uma vida que lhe tinha sido dada  pelos pais sem que a tivesse pedido ou dado tal autorização, que diziam até, que tinha sido dada por Deus. Um Deus sem princípio nem fim. E tinha-lhe dado a vida, a ela. Porventura teria embarcado nalguma aventura proposta, para experienciar algo diferente, mesmo que isso implicasse dor, mas diferente; diferente de qualquer outra coisa de que não se lembrava. E mesmo que se lembrasse não havia ninguém a quem perguntar nada, que esclarecesse qualquer dúvida. Haver, havia, mas as respostas eram por demais conhecidas de todos e não serviam à maioria e também ela não lhes encontrava cabimento; mas não se pronunciava. Chamá-la-iam de parva, maluca, descrente e tantas outras coisas. Ou talvez não, talvez apenas coitada. E coitada era nome que não se aguenta. Coitada é uma pobre de espírito, e, isso, nunca!
Soube mais tarde, que coitado era um termo muito comum no trovadorismo, em que , através das cantigas de amor, o trovador expressa o seu sofrimento amoroso, a sua coita, pela dama amada, inacessível e distante.
No caso desta pessoa , ser apelidada de coitada nada tinha que ver com coitado, que se usava apenas no masculino na idade média para designar aquele que sofria de amor.  Não era o caso. Sofria de desamor; por si; pelos outros. E até mesmo por Deus; queria amá-lo muito, devia-lhe a vida; e que vida. Chegava a pensar que era blasfémia não lhe agradecer a vida; não lhe agradecer ser "normal" por fora e aparentemente "normal" por dentro.
E o anos passavam. E ia lendo sobre a vida e mais especificamente sobre a morte, que alguns dizem ser o objectivo da vida: a vida uma preparação para a morte.
No mundo em que esta pessoa ainda vive, só a palavra morte assusta, mas lá vão dizendo que novos e velhos todos caminham irremediavelmente para ela. Uns dizem que sabem disso, mas que quanto mais tarde lhes acontecer, melhor. Esses serão os que embarcaram na aventura da vida de livre vontade e estão neste mundo para a aproveitar ao máximo e acrescentar-lhe experiências.
Depois há os que sofrem, não só fisicamente, mas em especial, psiquicamente. Esses só pensam nela como libertação, e mesmo assim têm medo: é o desconhecido.

E que aconteceu mais a essa pessoa?
Anda por aí .... Resolveu experenciar também.




data??? não sei ... Há muito tempo

quinta-feira, 16 de novembro de 2017



FOI UM AMOR QUE SE PERDEU

Foi um amor que se perdeu
Não fui capaz de te dizer SIM
E também dizer não, NÃO DISSE!
Ou disse?!
Preferiste não ter que o escutar


Só depois de partires,
Não por esse mundo fora
Mas deste ... e para sempre
É que senti que sempre em mim
Houve um bocadinho de ti

Só pena tenho
De que não tenhas sabido
Que se  te não quis ...
Foi para não ter que te perder!








O poeta (???) sempre é um fingidor :)

terça-feira, 14 de novembro de 2017



TARDE TELÚRICA


Restolho moreno
que douras as longas tardes estivais
Casas tão bem com o celeste azul do céu 
salpicado de flocos cor de neve
Tal qual "ouro sob azul"

Em teus galhos quebradiços
uma fauna cheia de vida volteja
Enquanto outra jaz adormecida
entre o fogo que da terra sobe
e as chamas que o céu emana!

Loiros os campos ...
Loiros os teus cabelos ...
Moreno
Já não te encontro. ..entre tanto oiro!


2017-09-27

segunda-feira, 13 de novembro de 2017





CÃOZINHO

Que lindo que sou!
Quem não acreditar
Venha espreitar
Que aqui estou!


GATA NO VASO DE FLORES

Sou uma gatinha
Estou sonolenta
Adoro o fresquinho
 Desta terra sedenta

As flores?
Quero lá saber!
Gosto das cores ...
Mas que hei-de fazer?!



Agosto de 2016 (+-)

sábado, 11 de novembro de 2017

Eu sou aquela

Eu sou aquela que magoou
E que agora é magoada
Que triste ficava por magoar
E que chorosa e magoada agora fica

Há uma mágoa no ar
Que teima em cair e queimar

Uma chaga que demora a sarar
E que dura enquanto a lembrar

Ah! Se pudesse apagar 
Tanta dor que fiz sem pensar
Ah! Se eu pudesse apagar
Esta dor que deixei atear

Ainda se as lágrimas me brotassem
E a ferida me sarassem
Ficaria livre ... ... ...
E deixaria o perdão entrar!


Outubro 2017


Escolher ou não o caminho

 

Um país pode ser a nossa casa

A nossa casa pode ser o nosso país

A prisão pode ser a nossa casa

Ou o nosso coração a prisão

 

Se vejo dois caminhos

Fico especada e não sigo

Como podem dois caminhos

Tornar-se a peia de alguém

É o que me pergunto

Enquanto estagno

No pântano da indecisão

 

Qualquer que seja a escolha

Será sempre a errada; e está escrito.

 

Pior que escolher o caminho errado

É ficar parada, a mirrar no mesmo lugar

Sujeita aos empurrões

Dos que querem o caminho desimpedido

E percorrer o escolhido 



sexta-feira, 20 de outubro de 2017

QUEM QUER

Quem quer
Sempre pode
Escrever um poema
Ir ao supermercado
Fazer a sopa
Ler um romance
Marcar a página
Lavar a louça
Ir ao Facebook
Varrer a cozinha
Enviar um email
Fazer arroz doce
Voltar ao romance
Sonhar, sonhar
Adormecer
Acordar
Tomar banho
Tomar um café
Escrever um poema
Fazer a cama
Meditar
Fazer frango com massa
Voltar ao romance
Almoçar no terraço
Ir ao Facebook
Lavar a louça
Fazer uma caminhada
Voltar ao romance

Quem quer
Sempre pode
Escrever um poema



Na altura não coloquei data, mas terá por volta de cinco ou seis anos 

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Blogger: Uma vida quase perdida - Criar mensagem


E não sei mesmo :)

Mas ... passados sete anos desde que criei este blog,  por força de uma formação em contexto de algo ligado a literatura, ou pelo menos a leitura, em que tal criação foi necessária, aqui ficou ele. Sem vida, é verdade ... mas ficou.

Já que ainda aqui está, e porque encontrei, por acaso (por acaso ?) meia folha de papel com um pretenso poema, que por acaso (por acaso ??) datei de 2004.06.17, e antes que deixe de ser visto como é habitual com os papéis que escrevinho e que esqueço onde coloco, e passe ao "não me lembrava de ter escrito isto", quando porventura o volte a encontrar, hipoteticamente, daqui a três anos e quatro meses, decidi fazer a transcrição:

MELHOR DO Q

Melhor do que chorar por não saber
É aprender

Melhor do que não saber o que fazer
É fazer

Melhor do que lembrar o passado
É viver

Melhor do que temer os problemas
É resolver

Melhor do que lutar contra
É aceitar

Melhor do que fugir do medo
É enfrentar

Melhor do que falar de amor
É amar