PARECE UM CONTO mas não é
Era uma vez uma pessoa que vivia triste; não se sentia querida, não tinha nenhum apego em particular, duvidava da utilidade da sua existência, e mesmo da própria existência. Mas tinha uma vida; uma vida que lhe tinha sido dada pelos pais sem que a tivesse pedido ou dado tal autorização, que diziam até, que tinha sido dada por Deus. Um Deus sem princípio nem fim. E tinha-lhe dado a vida, a ela. Porventura teria embarcado nalguma aventura proposta, para experienciar algo diferente, mesmo que isso implicasse dor, mas diferente; diferente de qualquer outra coisa de que não se lembrava. E mesmo que se lembrasse não havia ninguém a quem perguntar nada, que esclarecesse qualquer dúvida. Haver, havia, mas as respostas eram por demais conhecidas de todos e não serviam à maioria e também ela não lhes encontrava cabimento; mas não se pronunciava. Chamá-la-iam de parva, maluca, descrente e tantas outras coisas. Ou talvez não, talvez apenas coitada. E coitada era nome que não se aguenta. Coitada é uma pobre de espírito, e, isso, nunca!
Soube mais tarde, que coitado era um termo muito comum no trovadorismo, em que , através das cantigas de amor, o trovador expressa o seu sofrimento amoroso, a sua coita, pela dama amada, inacessível e distante.
No caso desta pessoa , ser apelidada de coitada nada tinha que ver com coitado, que se usava apenas no masculino na idade média para designar aquele que sofria de amor. Não era o caso. Sofria de desamor; por si; pelos outros. E até mesmo por Deus; queria amá-lo muito, devia-lhe a vida; e que vida. Chegava a pensar que era blasfémia não lhe agradecer a vida; não lhe agradecer ser "normal" por fora e aparentemente "normal" por dentro.
E o anos passavam. E ia lendo sobre a vida e mais especificamente sobre a morte, que alguns dizem ser o objectivo da vida: a vida uma preparação para a morte.
No mundo em que esta pessoa ainda vive, só a palavra morte assusta, mas lá vão dizendo que novos e velhos todos caminham irremediavelmente para ela. Uns dizem que sabem disso, mas que quanto mais tarde lhes acontecer, melhor. Esses serão os que embarcaram na aventura da vida de livre vontade e estão neste mundo para a aproveitar ao máximo e acrescentar-lhe experiências.
Depois há os que sofrem, não só fisicamente, mas em especial, psiquicamente. Esses só pensam nela como libertação, e mesmo assim têm medo: é o desconhecido.
E que aconteceu mais a essa pessoa?
Anda por aí .... Resolveu experenciar também.
data??? não sei ... Há muito tempo
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