sexta-feira, 12 de março de 2021

Vários poemas, vários temas


Não sei se tinhas muitas flores;
Tinhas, certamente, muitas
Não quis olhar
Não quis saber do teu fim

Não vi a cor do teu caixão
Estava lá, seguramente,
Um corpo que já ninguém reconhecia
Como sendo teu

Espero que estejas bem agora.
Que te reconcilies com a vida que deixaste

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Vês Um coxo
E choras
Vês um cego
E choras
Vês um paralítico
E choras
Vês um louco
E choras

Não é por eles
Que choras

Choras por ti


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Não lamentes quem em momento de dor, chorar
Lamenta quem no meio da dor estiver a rir
Quem chora na dor, vive
Quem ri na dor, está a retardar o momento 
Como quem paga uma dívida com juros

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Em frente à varanda da minha casa
Há um telhado com beiral
Onde pardais e andorinhas
Vêm tagarelar

De telhas outrora vermelhas
Agora marcadas pelo tempo
São verdes, são amarelas
Verdadeiras atracções
Para os pássaros debicarem

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Com tantos doces, tantos fritos
Tanta bebida licorosa
Vão parar ao hospital
E dizem que foi do natal

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Mulheres de meia-idade
60, 70, 80 anos
Arrastando a idade
E as peles
E a cor ruiva dos cabelos
Saem da praia
Exibindo a gordura balofa
Das coxas
As veias azuis, violeta
Salientes

Visão que magoa
Nudez que apregoa

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