Acordei cinzentona
Acordei cinzentona
Tal lobo solitário
De dentuça arreganhada
Mas sem forças para uivar
Vencido e dormente
Às portas do povoado
Um chamado tenebroso
Estranho e gélido guardião
De patas trémulas
Acuado
Sem uivo
Sem matilha
Retorna ao silvado
Sozinho no trilho
Sem lugar para chegar
Sem rumo nem ilusão
Vagueia, sem pressa
Velha pelagem
De cão abandonado
Corpo abatido
Cicatrizes de caçadas
Açoitado pelo vento
Que ecoa no silêncio
Em busca da lua
Amor impossível
Sem opção
Como um renegado
Que não arrisca
E passa da essência à demência
Mas eis que o sol brilha
Por qualquer motivo fútil
Do cinza me libertei
Admirei a luz
Pareceu-me o paraíso
E parti para mais um dia de labor
Devorada pela manhã
Exorcizando fantasmas aguerridos
E conquistando a aurora
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