sábado, 13 de fevereiro de 2021

 

ESTÁS AQUI

Enquanto te escrevo, amor, é como se estivesses aqui.

Enquanto te leio, amor, é como se estivesses a caminho, mesmo que digas o contrário. Dizes-me coisas terríveis para que depois possa apreciar melhor as boas; para lhes dar mais sabor e intensidade, dizes-me tu.

E eu vou acredito-te. Acredito-te sempre.

Quando leio que me beijas, que me abraças, é tudo tão real que não pode deixar de ser magnífico. E repito a leitura e repito e repito até à exaustão. E adormeço. E sonho. E acordo.

Não estás, mas estiveste. Não sofro. Espero-te.

Não me importo que seja uma ilusão. Não me canso de recriar-te mil vezes.

Não me incomoda o silêncio inabalável em que me prostro, embalada pelo fragor do eco da tua voz que escuto na alma e no coração.

Pergunto ao mundo o que é o amor real e verdadeiro; o mundo gagueja tolices. O mundo não sabe.

Não me importo nem me sinto trespassada por essas estranhas inquietudes, nem ardentes convulsões de que falam, à toa.

Escrevo-te.

Leio-te.

Estás aqui. Que mais posso querer, meu amor.

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